As projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foram revisadas para cima em junho, refletindo dados mais robustos do setor de serviços e um investimento privado acima do esperado no primeiro trimestre. A mediana das estimativas de 38 instituições financeiras e think tanks aponta expansão de 2,3% — 0,4 ponto percentual acima da projeção registrada em março.

O movimento de revisão não é uniforme: enquanto bancos de investimento mantêm visão mais otimista (média de 2,6%), casas de análise independentes convergem para 2,1%. A dispersão entre estimativas, medida pelo desvio-padrão, caiu de 0,8 para 0,5 ponto — sinal de maior convergência do consenso.

Composição do crescimento projetado

A decomposição das projeções indica que o consumo das famílias deve contribuir com 1,1 ponto percentual, o investimento fixo com 0,7 ponto e o setor externo com 0,3 ponto. O restante vem de variações de estoques e efeitos estatísticos residuais.

Componente Contribuição (p.p.) Variação vs. mar/26
Consumo das famílias 1,1 +0,2
Investimento fixo 0,7 +0,3
Exportações líquidas 0,3 −0,1
Governo 0,2 0,0

Setores em destaque

Os serviços, que respondem por cerca de 70% do PIB, devem crescer 2,8% em 2026, impulsionados por atividades financeiras, tecnologia e turismo. A indústria projeta expansão mais modesta de 1,5%, com manufatura avançando 1,8% e extração mineral recuando 0,3% em razão de ciclos de manutenção em grandes projetos.

O mercado de trabalho aquecido e a queda gradual da inflação sustentam a revisão positiva, mas o patamar elevado da Selic continua limitando o ritmo de investimento de longo prazo.

Riscos ao cenário base

Entre os riscos de cauda identificados pelos analistas, destacam-se: (i) deterioração do cenário externo com desaceleração mais acentuada nos EUA e China; (ii) choque cambial que reacenda pressões inflacionárias; e (iii) ajuste fiscal mais abrupto do que o precificado. Em cenário adverso, estimativas apontam crescimento entre 1,2% e 1,6%.

Na ponta otimista, com manutenção do fluxo de investimentos em infraestrutura e aceleração do crédito imobiliário, o PIB poderia alcançar 2,8% — patamar não visto desde 2022.

Leitura regional

As projeções regionais acompanham o movimento nacional, mas com nuances. O Sudeste deve crescer perto de 2,5%, sustentado por serviços financeiros e tecnologia. O Centro-Oeste projeta 2,9% com agronegócio ainda resiliente, enquanto o Nordeste fica em 2,0% com maior dependência de transferências públicas e turismo doméstico.

Próximas revisões

A divulgação do PIB do primeiro trimestre revisado, prevista para julho, e a ata do Copom de junho são os dois eventos mais citados pelos economistas como gatilhos para nova rodada de projeções. A Projeção atualizará este texto se a mediana do consenso se deslocar mais de 0,2 ponto percentual após esses dados.

Atualizado em 12/06/2026 às 14h30 (horário de Brasília).