A mediana das expectativas para a taxa Selic ao final de 2026 permaneceu estável em 11,25% na última edição do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. A projeção reflete a percepção de que, apesar da desaceleração gradual da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá postura restritiva por período prolongado.

Para o final de 2025, o mercado projeta Selic em 12,50%, indicando expectativa de dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do segundo semestre — movimento que depende de confirmação da trajetória inflacionária.

Curva implícita de juros

Os contratos de DI para janeiro de 2027 precificam taxa de 11,8%, sugerindo mercado ligeiramente mais hawkish que o Focus. A inclinação da curva de juros permanece positiva, sinalizando prêmio de risco fiscal e incerteza sobre convergência inflacionária.

Horizonte Mediana Focus DI implícito
Dez/2025 12,50% 12,65%
Dez/2026 11,25% 11,80%
Dez/2027 10,50% 11,10%

Inflação e juros reais

Com IPCA projetado em 4,2% para 2026, a taxa Selic implícita de 11,25% implica juro real ex-ante de aproximadamente 6,8% — patamar considerado restritivo por analistas. A manutenção de juros reais elevados é vista como necessária para ancorar expectativas, ainda acima do centro da meta de 3%.

A convergência inflacionária é gradual, e o Copom sinalizou que não abrirá mão de credibilidade por antecipar cortes prematuros.

Cenários alternativos

Em cenário de choque cambial ou revisão fiscal desfavorável, analistas do mercado primário projetam Selic terminal entre 12% e 12,75%. No cenário benigno — com IPCA fechando 2026 abaixo de 3,8% — cortes adicionais poderiam levar a taxa a 10,50%.